A Casa do Baralho 2

Padrão

🇧🇷 A segunda temporada do O Mecanismo tem, a partir do episódio 6, uma forte inflexão para um dos lados, visando “passar um pano” para o partido da ex-presidente.

Era esperado que Padilha fizesse isso já na primeira temporada, não fez. Ao contrário, fez uma bela obra. Na segunda temporada, ia bem até essa guinada. No geral, a obra é boa – e Padilha poderia ter autoradio para todos os lados sem tentar aliviar pra “Janete”. A mudança, por sinal, parece coincidir as gravações com as eleições de 2018 e, talvez, com a indicação prematura de Sergio Moro para o Ministério da Justiça.

Digno de nota, também, é a menção clara à série política norte-americana House of Cards.

Continuo apreciando a série, apesar disso. Desnuda um modelo de governo que existe no Brasil desde a redemocratização – e foi acentuada pela Constituição de 1988.

A inflexão fica bem clara nas nuances do tratamento dado ao Rigo (Moro) e, ainda mais, na fala claramente política de Ruffo sobre a eleição de Bolsonaro (sem citar nomes ainda).

Há espaço para mais umas 2 ou 3 temporadas. Dá pra tratar do “pós Impeachment” com Temer. Dá pra tratar das armações do STF. É até do início do governo Bolsonaro (apesar de achar que esse ficaria para a 5ª temporada, com mais elementos a serem colocados).

Quem mais assistiu? Que acharam?

🇧🇷 Meu TED Talk favorito

Vídeo

Quando criança, sonhava em ser astronauta, cantor de rock, bombeiro. Também sonhava ser engenheiro (sem saber que era esse o nome) para criar um carro voador que voasse baseado em magnetismo (devia ter seguido essa linha? rs) e, pasmem, arqueólogo. Não fazia o menor sentido estudar arqueologia no Brasil – na época, só havia um curso disso no Nordeste – mas eu era apaixonado pela história das primeiras civilizações. Ainda sou, na verdade. Mas arqueologia não me daria ganhar dinheiro, já que a única forma de trabalhar com isso no Brasil seria virando professor. E eu, definitivamente, não queria isso pra minha vida.

Ah, a vida, essa brincalhona.

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Fugir da luta?

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O prof. Kanitz, a quem muito admiro e respeito, fez um post (neste link) chamado Por Que Não Mudo Para Portugal sobre o que ele chama de “fugir da luta” ao falar sobre migração. Essa é uma das poucas vezes que discordo de praticamente tudo que disse o prof. Stephen Kanitz.

Migrei neste ano. Volto? Não sei. Provavelmente não nos próximos anos. Mas posso dizer algumas coisas: tem mais “SE” em seu texto do que comportam os próximos 20 ou 30 anos. Vou para um ponto a ponto:

1. Portugal tem somente 10 milhões de habitantes, portanto com poucos consumidores para quem precisará necessariamente empreender.

1 – Sim, Portugal é minúsculo (10 mi pessoas) e, realmente, um mercado muito pequeno para quem vai empreender. Mas… Não é o único país do mundo e está contratando brasileiros qualificados em diversas posições, principalmente em tecnologia.

2. Portugal tem somente 1 milhão de jovens entre 15 e 24 anos, portanto sem futuro, muito menos promissor.

2 – Portugal tem um problema crônico com falta de jovens, sim. Pior que o restante da Europa. Há um “buraco” geracional que pode, sim, ser suprido por jovens brasileiros com baixa qualificação. Não é o ideal, sem dúvida, mas é possível. E, bem… Continua não sendo o único país do mundo.

3. Portugal pode ser mais seguro, mas eu durmo tranquilo sabendo que não haverá ato terrorista ou terremoto.

3 – Eu não dormia tranquilo no Brasil desde o dia que fui assaltado com uma semiautomática na cabeça na esquina de minha casa. Acredite: isso muda uma pessoa.

4. A nossa carga tributária de 36% é exclusivamente causada pelos custos da Previdência, que consomem 12%. Resolvida a Previdência essa carga pode cair para 26%, igual a carga tributária americana.

4 – Os dois primeiros grandes “SE”: “carga tributária de 36% é exclusivamente causada pelos custos da previdência”, ou seja “SE” alguém mexer nesse vespeiro (duvido que mexam) ainda terá 12% de margem para decidir “SE” vai reduzir impostos. Alguém aposta nisso? Eu não.

5. Somente 10% da população brasileira é de funcionários públicos, na Dinamarca são 40% e os nossos ganham pouco.

5 – 40% da força de trabalho dinamarquesa é de funcionários públicos, mas… Estamos falando de Dinamarca? Ou Portugal? Que tal Espanha? Holanda? EUA? Canadá? Nova Zelândia? Austrália? E, bem… 10% de uma mão de obra improdutiva e com uma população ociosa de cerca de 70%…o quadro é feio!

6. A produtividade do brasileiro é metade do que deveria. Se dobrarmos nossa produtividade, nossa carga tributária, nosso tamanho do Estado, também caem pela metade.

6 – A produtividade média do brasileiro chega a ser 1/10 do que poderia. “SE” resolvermos isso…? Primeiro, precisamos de investimento em tecnologia de ponta (caríssimo no Brasil). Depois, em capacitação (problemática devido à nossa baixa qualificação). E, enfim, desburocratização. Ufa… Quantas décadas pra isso, mesmo?

7. Digamos que nosso tempo desperdiçado, nossa produção desperdiçada seja de 30%. Basta sermos mais bem administrados que aumentamos esse PIB mais 50%.

7 – “SE” diminuirmos o tempo desperdiçado… 😴

8. Apesar de sermos contra a classe de Administradores, muitos dos nossos ensinamentos estão sim sendo incorporados na sociedade por engenheiros e programadores, via software , planilhas excel, livros de autoajuda como Pai Rico Pai Pobre.

8 – Concordo.

9. Não somos um país corrupto, somos um país mal auditado.

9 – Discordo em parte. Somos um país corrupto E mal auditado.

10. Não somos um país fracassado, somos um país mal administrado. Por engenheiros e economistas, que fazem o que podem dentro de suas limitações.

10 – Concordo. Há 518 anos. “SE” mudarmos isso, em algumas décadas poderemos ter um bom país.

11. Finalmente, não quero ser taxado daqui 10 anos, de covarde, de ter fugido da luta, de ter abandonado meus amigos e netos que reconstruíram o Brasil, de ter pensado somente em mim.

11 – Migrar não é “fugir da luta”. Ao contrário!! É assumir a própria luta. Meus avós migraram de Portugal para o Brasil. Meus bisavós mudaram da Itália para o Brasil. Meu pai migrou do interior para São Paulo. TODOS eles assumiram a própria luta e fizeram do Brasil um país melhor. Por que não eu? Por que não posso fazer por outro país o que meus pais e avós fizeram? Que pensamento provinciano!

12. Não me procurem quando voltarem para o Brasil, fugindo da estagnação, da velhice europeia, do Islam.

12 – Não é preciso procurar ninguém. Nem “perder a oportunidade”. Existe internet e posso acompanhar tudo que rola =D
E sobre a invasão islâmica na Europa, de fato, isso seria um ponto que me faria repensar algo.

13. PS. Comparando o que o Brasil avançou nesses 500 anos, com a estagnação Portuguesa nesse mesmo período, eu questiono as anotações de vocês.

13 – De fato, o Brasil avançou em 500 anos mais que Portugal (voltamos a Portugal, então?). Saímos de zero para 1. Portugal deve ter saído de 6 para 7. E a Alemanha dos últimos 50 anos? Holanda (nos mesmos 50 anos)? Nova Zelândia (nos ultimos 20 anos)? Austrália? Que tal? Muito mais avanços! Avanço não é apenas PIB, mas IDH. E pessoas reais, afinal, não vivem de “avanços” em indicadores, mas do que eles representam, de fato, em suas vidas.

E, de lado a postura xiita, o que me impede – a mim ou meus filhos – de voltar amanhã? E não apenas voltar, mas trazer na bagagem vivências, experiências, novas habilidades e, assim, melhorar inclusive o Brasil??

Ao contrário do prof. Kanitz, há anos digo aos meus alunos: vão pra fora! Vivam um tempo no exterior. Aprendam, cresçam, melhorem e, se quiserem, voltem.
Faz bem.

O que vocês acham?

Gênio injustiçado

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Vale assistir o documentário sobre Nikola Tesla, no Netflix. Para mim, um dos maiores inventores da humanidade, em um patamar comparável a Da Vinci. Injustiçado e esquecido, sua visão de longo prazo assemelha-se à do italiano, anos à frente de Edison, por exemplo. Aliás, no Panteão dos

Gênios Injustiçados, deve ter lugar perto de Alberto Santos Dummont.

Operscionalizou a corrente alternada (AC), inventou as primeiras lâmpadas fluorescentes (inclusive, sem fios!), foi o verdadeiro inventor do rádio e, tenho forte suspeita, inventou um sistema de transmissão de energia sem fio a longas distâncias, que fora sabotado (talvez por seu próprio financiador, J.P. Morgan).

Vale ver o documentário para conhecer um pouco sobre ele (mas o documentário não está completo, já aviso).

www.netflix.com/title/80991257?source=android

Outros documentários que complementam a história

Parte I

Parte II

Nikola Tesla

Vampiros e Padrões

Padrão

Nesta semana, pedi feedback sobre o The Business Idea Canvas – BIC para alguns dos maiores expoentes do campo em análise de modelos de negócios. Foi uma honra sem tamanho receber retorno de nomes como Alexander Osterwalder, Yves Pigneur, Yongho Brad Cho, Nei Grando, Steven Fisher, Patrick Van der Pijl, entre outros.

Os pontos altos, ressaltados por muitos deles, foram: o bloco dos Vampiros 🧛🏻‍♂️ e o dos Padrões 🅿️.

A grande novidade, sob o ponto de vista dos Vampiros, é olhar enxergar outros stakeholders e suas relações com o problema – algo que as principais ferramentas não contemplam de maneira tão clara. Nesse sentido, inclusive, o bloco Quem Mais, logo acima, complementa essa perspectiva.

A ideia desse bloco é que, quando um problema é encontrado – e, eventualmente, uma solução é proposta – há quem se beneficie e, muitas vezes, quem se prejudique. Em outras palavras, há vampiros que vivem às custas da existência do problema e lutarão de alguma forma para manter o status quo. Ter isso claro pode ser de grande valor quando da proposição de uma solução. É possível, por exemplo, trazer os “vampiros” para junto da solução, diminuindo a resistência. Também é possível trabalhar para eliminar a força da resistência. Ou, em outros casos, até mesmo partir para o confronto direto. Mas, o que aprendi após alguns anos de implementação de sistemas de informação e de processos de negócios, é que ignorar os vampiros de um processo, aqueles que são negativamente afetados pela solução, pode ser fatal para a implementação de um novo projeto – ou de um novo negócio. Já vi de tudo: sonegação de informações, informações falsas, derrubada de líder de projetos… sabotagem pura! Cuidado com os vampiros!

Já o segundo bloco que foi bem comentado, é dos Padrões (Patterns). Esse aspecto é interessante: boa parte das ferramentas fala disso, propõe padrões, mas… Não incorpora isso de maneira objetiva na ferramenta.

Padrões são importantes para facilitar a compreensão da proposta de solução com base em alguma analogia ou metáfora de negócios conhecido. Principalmente quando essa solução se baseia em inovação de modelos de negócios.

Uma referência muito interessante sobre padrões é um artigo do Buzzfeed da Michelle Rial chamado Is your startup idea already taken?

Fiquei muito feliz com os feedbacks e, principalmente, acabei pegando novos insights para novas versões e, quem sabe, novas ferramentas.

Obrigado a todos pelo apoio!

Um exemplo de uso do The Business Idea Canvas (BIC)

Padrão

Após a explicação do uso do The Business Idea Canvas (BIC), julguei por bem apresentar, também, um exemplo de uso da ferramenta. Vamos falar, então, de fraldas descartáveis.

A escolha do problema – que pode partir do Mural de Ideias, por exemplo – é o ponto de partida para chegarmos à proposta de solução.

Problema

Um problema comum quando se trata de fraldas descartáveis é o esquecimento de comprar e, consequentemente, só descobrirmos que acabou no meio da noite, com o bebê chorando, o bumbum assado, e a sacola de fraldas vazia.

Quem

O verdadeiro afetado, ao contrário do que pensamos, não são os pais, mas os bebês. Diferenciar isso é importante, pois é um “cliente” que reclama muito, mas que não tem poder de compra ou condições para adquirir o produto sozinho.

Quem Mais

Aqui, sim, citamos os pais, que são indiretamente – e fortemente, rs – afetados pelo problema. A importância em se diferenciar isso envolve a construção da proposta de valor: uma entrega programada beneficia a criança, sem dúvidas, mas também – e talvez principalmente – os papais e mamães.

Vampiros

As farmácias 24 horas, com seus preços razoavelmente acima da média, são os principais beneficiários desse problema.

Atualmente, como é?

Nesse caso, a questão não é “como se recolhem os dejetos dos bebês?”, mas, sim, “como se resolve o problema de esquecer de comprar fraldas?”. Comprender esa diferença é vital para uma boa proposta de solução.

Assim, como se resolve esse problema hoje? Comprando fraldas em farmácias 24 horas (justamente nossos vampiros, certo?) ou em mercados, quando ainda abertos.

Atualmente, quanto é?

Novamente, o custo não se refere à fralda em si, mas à solução atual: deslocamento, tempo e sobrepreço do produto (custo de oportunidade).

Trend (Tendência)

Aqui começamos a trabalhar em conjunto com uma possível proposta de solução. A atual tendência mundial ou local se refere esse problema?

Há uma tendência humana, eu diria, nesse caso que tem a ver com a busca por facilidades e economias de tempo e esforço.

Pattern (Padrão)

Esse bloco se refere novamente à solução proposta e diz respeito à qual modelo de negócios já conhecido essa proposta de parece. No caso da Baby Fraldas, é um modelo de assinatura de produtos, como Birchbox, Blacksocks.

Solução Proposta

Bem, a solução proposta a princípio é um sistema de assinatura de fraldas, com previsão de consumo mensal e, portanto, otimizando o processo logístico de aquisição e entrega do produto.

Tipo de Inovação

Produto? Não. São as mesmas fraldas que se adquire no mercado.

Mercado? Não: o público alvo é o mesmo da solução atual.

Processo: sim, há uma inovação de processo, uma vez que o produto é entregue com periodicidade planejada ao invés das compras esporádicas ou pontuais em mercados e farmacias.

Modelo de negócio: também, uma vez que hoje ainda não existe um serviço referência em entrega programada de fraldas descartáveis (sim, já existe, por isso é um exemplo, não um modelo novo, rs).

Nível de Inovação

Incremental (inovação pequena sobre uma base existente) ou radical (envolvendo disrupção do mercado de fraldas)?

Incremental, certo? 🤔


Terminamos nosso BIC e o que temos, agora?

Algo, mais ou menos, assim:

Conseguiu usar o BIC? Gostou? O que é show e o que pode melhorar? Vou esperar seus comentários! 😊

The Business Idea Canvas (BIC)

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Ao longo de cerca de 15 anos entre consultorias e vida acadêmica, venho trabalhando – e lecionando – com novos projetos de negócios, boa parte deles inovadores. Nesse período, utilizei o Plano de Negócios tradicional, depois o Business Model Canvas, que conheci ainda em 2010, e a partir de então, utilizamos várias outras ferramentas, como o Mapa de Empatia (que já está na versão 2.0), o Canvas da Proposta de Valor (que era chamado Canvas Cliente-Valor em suas primeiras versões), Lean Canvas (uma das primeiras variantes do BMC); BASE Board (uma das minhas ferramentas preferidas) e tantas outras – vou fazer um post em breve só sobre isso – além de várias estratégias e metodologias (como Silly Cow Challenge, para criatividade; Mural de Ideias (que trabalho de maneira diferente da apresentada no Design a Better Business); Batalha de Conceitos; Buy a Feature; Co-criação; Storytelling; Pitch; e outras).

Não há ferramenta completa, sequer perfeita, em negócios. O ideal, na verdade, é uma combinação de ferramentas e estratégias, adequando-as a cada realidade (treinamento, deseolvimento real, trabalho, consultoria) e público. Ao menos é isso o que tenho feito.

Nesse período, venho testando algumas possibilidades, estratégias e passei também a desenhar algumas ferramentas. A Batalha de Conceitos, por exemplo, é uma das técnicas que melhor trazem resultados quando trabalhadas com grupos diferentes em sala de aula para dar um salto de qualidade nos projetos. Mas foi outra atividade que desenhei, chamada Problemas & Soluções, que deu origem à minha primeira ferramenta pública, agora em 2017: The Business Idea Canvas (na verdade, não é a primeira – antes dessa, já há 2 versões do Cut the Crap Canvas, mas que ainda não considero em ponto para compartilhar).

The Business Idea Canvas v 1.0

A ferramenta tem por objetivo ser uma das primeiras etapas do processo de ideação, ao mesmo tempo que faz uma checagem acerca do problema que está sendo trabalhado. Entendo que, muitas vezes, o “problema” a ser resolvido não é, de fato, um problema Ex: um recente projeto que funcionaria como uma plataforma para encontrar amigos para jogar futebol. Em outros casos, há uma incompreensão de qual é, de fato, o problema. Ex: o trânsito em uma grande cidade não é o problema em si, mas o resultado de alguns problemas (morar distante, por exemplo) ou a causa de outros (chegar atrasado ao trabalho). Há ainda um caso interessante quando se espera que um determinado público queira uma solução que, na verdade, não quer. Ex: filas para entrar em uma balada são, na verdade, atrativos para a balada, de forma que o dono não teria grande interesse em resolvê-lo. É nesse contexto e buscando tratar dessas situações que nasce o The Business Idea Canvas.

A Ferramenta

Pode-se iniciar a partir da ideia (Solução Proposta, bloco central) ou do Problema (primeiro bloco da esquerda). Pessoalmente, acredito fazer mais sentido tratar do problema, mas não há restrição quanto a isso.

Problema

Esse bloco inicial deve explicar e especificar qual é o problema que se busca resolver. Partindo-se do princípio que a criação de valor se dá a partir da resolução de algum tipo de problema, me parece sensato começar o desenho da solução a partir desse ponto. A identificação do problema pode nascer da observação ou mesmo dos dados coletados no Mapa da Empatia, que pode trabalhar em conjunto com o BIC.

Assim, esse bloco busca compreender qual é, de fato, o problema: suas causas,origens, efeitos, implicações.

QUEM

A delimitação do público afetado pode ser obtida, também, em conjunto com o Mapa da Empatia. Assim, é importante conhecer quem é diretamente afetado pelo problema e de que forma. Quantas são essas pessoas? Onde estão?

QUEM MAIS?

A partir desse bloco, o Mapa da Empatia já não nos ajuda mais e precisamos mergulhar mais fundo no problema para compreender algumas de suas nuances. Além das pessoas diretamente afetadas, quem mais sofre o impacto desse problema? Familiares, amigos, outros stakeholders? Essas informações podem nos ajudar a determinar estratégias de vendas, comunicação, e separar mais claramente o que deve ser central para a solução e o que é secundário, mas importante.

VAMPIROS

Os vampiros normalmente são personagens ignorados quando da concepção de uma proposta de solução, mas eles têm condições de, potencialmente, minar as chances de sucesso do negócio. Eles são aqueles stakeholders que, de alguma maneira, se beneficiam da existência do problema, como no caso da fila da balada citado no início do texto. Assim, é importante conhecer quem se beneficia da existência desse problema e, potencialmente, atuaria contra a solução? Penso que esse é um grande ponto cego na maiora das ferramentas de ideação e construção inicial do modelo de negócios.

HOJE, COMO É?

É difícil dizer que um problema não é solucionado ou sequer tratado atualmente. É praticamente certo que, atualmente esse problema seja resolvido de alguma forma, ainda que paliativa. Ex: Alguém que sofre com enchentes, provavelmente colocou um portão para funcionar como deck em frente da casa; ou uma doença incurável cujos sintomas são tratados com um coquetel de remédios.

É muito pouco provável que nada tenha sido sequer tentado para resolver o problema identificado.

HOJE, QUANTO?

A solução atual, ainda que paliativa, representa algum tipo de custo. Quanto custa atualmente para solucionar – ou amezinar – esse problema?

É preciso levar em conta que o cliente, quando considerar adotar a solução proposta, vai pesá-la contra as alternativas atuais em termos de custos e benefícios oferecidos.

TREND e PATTERN

Os dois últimos blocos externos ao bloco central darão os primeiros indícios acerca da solução proposta. No bloco TREND, o analista de negócios deve apontar a qual tendência (mundial, local, social, tecnológica) esse problema (e uma eventual solução) pertencem. Esse indicador será importante quando da avaliação do potencial futuro da ideia de negócio.

Por sua vez, o bloco PATTERN está diretamente relacionado à solução que será proposta (e, portanto, pode ser preenchido após a proposta). Esse bloco diz respeito a qual o padrão de negócio, a qual o arquétipo de modelo de negócios conhecido essa proposta se alinha. Ele serve para facilitar a compreensão da solução proposta a partir de uma analogia com um modelo conhecido. EX: o Uber dos pintores de casa; o Tinder das profissões; o AirBnB das lanchas e barcos.

SOLUÇÃO PROPOSTA

O bloco da solução é o mais importante e que vai dar a base para a migração do trabalho para ferramentas mais focadas em Modelos de Negócios (como o BMC, o BASE Board, o Lean Canvas, etc), mas ele só pode ser construído após uma clara compreensão do problema, de seus custos, dos afetados pelo problema, dos que se beneficiam dele. Após essa compreensão, o analista ou o empreendedor podem começar a propor uma solução que seja adequada a esse problema.

Uma vez proposta a solução (ou soluções), a ferramenta permite que se aponte qual o nível da inovação proposta (DISRUPTIVA ou INCREMENTAL) e qual o foco dessa inovação (PRODUTO, PROCESSO, MERCADO e/ou MODELO). Esses elementos também facilitarão a compreensão acerca da viabilidade técnica e mercadológica da solução.

CONCLUINDO

A ferramenta tem o objetivo de ser uma das primeiras etapas do processo de ideação, ao mesmo tempo que faz uma abordagem mais profunda acerca do problema que está sendo trabalhado. Não é uma ferramenta para construção de modelos, apesar de ser uma ferramenta de apoio bastante útil nas primeiras etapas de construção. Além disso, por fazer parte de um processo iterativo, pode-se voltar a ela e reconfigurar a proposta de acordo com o andamento do projeto e à medida que novos dados relevantes surjam no contexto da inovação em questão.

A fim de facilitar o entendimento, montei um exemplo comentado de aplicação da ferramenta neste post.

Você pode baixar a ferramenta gratuitamente aqui. Apenas atente-se à licenca Creative Commons atribuída.

Esta é a primeira versão pública da ferramenta e ficarei muito feliz com os feedbacks acerca da aplicação da ferramenta em outros contextos e casos práticos.


PS: as ferramentas e métodos Batalha de Conceitos, Problemas & Soluções, Mural de Ideias citadas neste texto, e outras estratégias que utilizo para a concepção de negócios inovadores serão apresentadas ao longo das próximas semanas.

Meu primeiro Live Story – Como será o futuro?

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No início de outubro/17, fiz minha primeira Live Story no Instagram, discutindo sobre como deve ser o futuro em diversas áreas.

Quer assistir?

(o áudio está um pouco falho em alguns momentos por conta da própria tecnologia do Instagram, mas da pra entender as ideias 😁)

Aprender a aprender

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Esse é o discurso que proferi como patrono da turma de Administração no Mackenzie, no último dia 15 de agosto de 2017.

Boa noite, pais, mães, amigos. Boa noite aos professores que compõem a mesa, ao diretor, coordenador. Principalmente, boa noite, alunos e alunas formandos.

Peço licença a todos, mas preciso me dirigir aos formandos hoje.

É uma honra sem tamanho estar aqui mais uma vez hoje, mas é, também, uma grande responsabilidade estar aqui no encerramento deste ciclo tão importante da vida de vocês. Eu espero estar à altura de tal responsabilidade.

Vocês passaram 4 anos, alguns 5, aprendendo, sendo preparados para atuar e viver num mercado competitivo, dinâmico e tudo mais que seus professores cansaram de dizer e que alguns de vocês cansaram de escutar.

Mas eu queria falar de futuro. De um futuro onde dentro de 10, 20 ou 30 anos com carros auto dirigíveis, com órgãos artificiais, fábricas autogeridas. Um futuro onde não precisarão dirigir, onde não existirá filas de transplantes, onde o trabalho será muito mais intelectual do que é hoje. (E esperamos que nenhum maluco exploda o mundo antes disso)

Quantos de vocês já pensaram em como será esse ambiente competitivo, dinâmico e tudo mais daqui a 10, 20 ou 30 anos, quando muitos de vocês – provavelmente todos – estarão ainda no mercado.

Quantos de vocês já pensaram que muito do que aprenderam nos últimos 4 ou 5 anos não terá grande utilidade neste novo mundo que vocês começarão a viver logo que saírem por essas portas hoje?

Mas meu papel hoje, aqui, não é ser o abutre do mau agouro, o profeta do apocalipse que traz à mente um futuro sombrio, ao contrário, venho para lembrá-los das duas lições mais valiosa que aprenderam dentro desta instituição nos últimos anos – e que serão, espero, a chave para desbravarem esse novo mundo que se descortina à frente de vocês: aprender a pensar e aprender a aprender.

Esse futuro, felizmente, não “acontecerá” simplesmente. Ele será criado. E alguém precisará criá-lo. Quem de vocês estará disposto a isso? Quem está disposto a pensar, a questionar, a desafiar o funcionamento das coisas e propor algo novo, melhor? Quem realmente aprendeu a pensar e será criador desse futuro?

E, independente das mudanças que esse futuro trará, alguém precisará conduzir, organizar, administrar todo esse novo mundo, com novas tecnologias, novas ferramentas, novos paradigmas. E quem se manterá no topo, direcionando as novas e antigas organizações nesse novo cenário? Aquele que aprendeu a aprender, que é incansável na leitura, na busca por novos conhecimentos e habilidades.

Eu espero, ansioso, poder fazer parte desse futuro criado e conduzido por muitos de vocês.

E assim – por mais valiosas que tenham sido as aulas de logística, estatística, marketing, finanças, RH, estratégia e tantas outras – nesta noite, enquanto ainda podemos chamá-los “alunos”, espero que lembrem dessas duas lições: não se furtem a pensar; e nunca se cansem de aprender.

Eu já disse que vocês precisam ler mais?

Boa noite, sucesso e que Deus abençoe vocês!