Fugir da luta?

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O prof. Kanitz, a quem muito admiro e respeito, fez um post (neste link) chamado Por Que Não Mudo Para Portugal sobre o que ele chama de “fugir da luta” ao falar sobre migração. Essa é uma das poucas vezes que discordo de praticamente tudo que disse o prof. Stephen Kanitz.

Migrei neste ano. Volto? Não sei. Provavelmente não nos próximos anos. Mas posso dizer algumas coisas: tem mais “SE” em seu texto do que comportam os próximos 20 ou 30 anos. Vou para um ponto a ponto:

1. Portugal tem somente 10 milhões de habitantes, portanto com poucos consumidores para quem precisará necessariamente empreender.

1 – Sim, Portugal é minúsculo (10 mi pessoas) e, realmente, um mercado muito pequeno para quem vai empreender. Mas… Não é o único país do mundo e está contratando brasileiros qualificados em diversas posições, principalmente em tecnologia.

2. Portugal tem somente 1 milhão de jovens entre 15 e 24 anos, portanto sem futuro, muito menos promissor.

2 – Portugal tem um problema crônico com falta de jovens, sim. Pior que o restante da Europa. Há um “buraco” geracional que pode, sim, ser suprido por jovens brasileiros com baixa qualificação. Não é o ideal, sem dúvida, mas é possível. E, bem… Continua não sendo o único país do mundo.

3. Portugal pode ser mais seguro, mas eu durmo tranquilo sabendo que não haverá ato terrorista ou terremoto.

3 – Eu não dormia tranquilo no Brasil desde o dia que fui assaltado com uma semiautomática na cabeça na esquina de minha casa. Acredite: isso muda uma pessoa.

4. A nossa carga tributária de 36% é exclusivamente causada pelos custos da Previdência, que consomem 12%. Resolvida a Previdência essa carga pode cair para 26%, igual a carga tributária americana.

4 – Os dois primeiros grandes “SE”: “carga tributária de 36% é exclusivamente causada pelos custos da previdência”, ou seja “SE” alguém mexer nesse vespeiro (duvido que mexam) ainda terá 12% de margem para decidir “SE” vai reduzir impostos. Alguém aposta nisso? Eu não.

5. Somente 10% da população brasileira é de funcionários públicos, na Dinamarca são 40% e os nossos ganham pouco.

5 – 40% da força de trabalho dinamarquesa é de funcionários públicos, mas… Estamos falando de Dinamarca? Ou Portugal? Que tal Espanha? Holanda? EUA? Canadá? Nova Zelândia? Austrália? E, bem… 10% de uma mão de obra improdutiva e com uma população ociosa de cerca de 70%…o quadro é feio!

6. A produtividade do brasileiro é metade do que deveria. Se dobrarmos nossa produtividade, nossa carga tributária, nosso tamanho do Estado, também caem pela metade.

6 – A produtividade média do brasileiro chega a ser 1/10 do que poderia. “SE” resolvermos isso…? Primeiro, precisamos de investimento em tecnologia de ponta (caríssimo no Brasil). Depois, em capacitação (problemática devido à nossa baixa qualificação). E, enfim, desburocratização. Ufa… Quantas décadas pra isso, mesmo?

7. Digamos que nosso tempo desperdiçado, nossa produção desperdiçada seja de 30%. Basta sermos mais bem administrados que aumentamos esse PIB mais 50%.

7 – “SE” diminuirmos o tempo desperdiçado… 😴

8. Apesar de sermos contra a classe de Administradores, muitos dos nossos ensinamentos estão sim sendo incorporados na sociedade por engenheiros e programadores, via software , planilhas excel, livros de autoajuda como Pai Rico Pai Pobre.

8 – Concordo.

9. Não somos um país corrupto, somos um país mal auditado.

9 – Discordo em parte. Somos um país corrupto E mal auditado.

10. Não somos um país fracassado, somos um país mal administrado. Por engenheiros e economistas, que fazem o que podem dentro de suas limitações.

10 – Concordo. Há 518 anos. “SE” mudarmos isso, em algumas décadas poderemos ter um bom país.

11. Finalmente, não quero ser taxado daqui 10 anos, de covarde, de ter fugido da luta, de ter abandonado meus amigos e netos que reconstruíram o Brasil, de ter pensado somente em mim.

11 – Migrar não é “fugir da luta”. Ao contrário!! É assumir a própria luta. Meus avós migraram de Portugal para o Brasil. Meus bisavós mudaram da Itália para o Brasil. Meu pai migrou do interior para São Paulo. TODOS eles assumiram a própria luta e fizeram do Brasil um país melhor. Por que não eu? Por que não posso fazer por outro país o que meus pais e avós fizeram? Que pensamento provinciano!

12. Não me procurem quando voltarem para o Brasil, fugindo da estagnação, da velhice europeia, do Islam.

12 – Não é preciso procurar ninguém. Nem perder. Existe internet =D E sobre a invasão islâmica na Europa, de fato, isso seria um ponto que me faria repensar algo.

13. PS. Comparando o que o Brasil avançou nesses 500 anos, com a estagnação Portuguesa nesse mesmo período, eu questiono as anotações de vocês.

13 – De fato, o Brasil avançou em 500 anos mais que Portugal (voltamos a Portugal, então?). Saímos de zero para 1. Portugal deve ter saído de 6 para 7. E a Alemanha Kids últimos 50 anos? Holanda? Nova Zelândia? Austrália? Que tal?
Avanço não é apenas PIB, mas IDH. E pessoas reais, afinal, não vivem de “avanços” em indicadores, mas do que eles representam, de fato, em suas vidas.

E, de lado a postura xiita, o que me impede – a mim ou meus filhos – de voltar amanhã? E não apenas voltar, mas trazer na bagagem vivências, experiências, novas habilidades e, assim, melhorar inclusive o Brasil??

Ao contrário do prof. Kanitz, há anos digo aos meus alunos: vão pra fora. Aprendam, cresçam, melhorem e, se quiserem, voltem.

Faz bem.

O que vocês acham?

Aprender a aprender

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Esse é o discurso que proferi como patrono da turma de Administração no Mackenzie, no último dia 15 de agosto de 2017.

Boa noite, pais, mães, amigos. Boa noite aos professores que compõem a mesa, ao diretor, coordenador. Principalmente, boa noite, alunos e alunas formandos.

Peço licença a todos, mas preciso me dirigir aos formandos hoje.

É uma honra sem tamanho estar aqui mais uma vez hoje, mas é, também, uma grande responsabilidade estar aqui no encerramento deste ciclo tão importante da vida de vocês. Eu espero estar à altura de tal responsabilidade.

Vocês passaram 4 anos, alguns 5, aprendendo, sendo preparados para atuar e viver num mercado competitivo, dinâmico e tudo mais que seus professores cansaram de dizer e que alguns de vocês cansaram de escutar.

Mas eu queria falar de futuro. De um futuro onde dentro de 10, 20 ou 30 anos com carros auto dirigíveis, com órgãos artificiais, fábricas autogeridas. Um futuro onde não precisarão dirigir, onde não existirá filas de transplantes, onde o trabalho será muito mais intelectual do que é hoje. (E esperamos que nenhum maluco exploda o mundo antes disso)

Quantos de vocês já pensaram em como será esse ambiente competitivo, dinâmico e tudo mais daqui a 10, 20 ou 30 anos, quando muitos de vocês – provavelmente todos – estarão ainda no mercado.

Quantos de vocês já pensaram que muito do que aprenderam nos últimos 4 ou 5 anos não terá grande utilidade neste novo mundo que vocês começarão a viver logo que saírem por essas portas hoje?

Mas meu papel hoje, aqui, não é ser o abutre do mau agouro, o profeta do apocalipse que traz à mente um futuro sombrio, ao contrário, venho para lembrá-los das duas lições mais valiosa que aprenderam dentro desta instituição nos últimos anos – e que serão, espero, a chave para desbravarem esse novo mundo que se descortina à frente de vocês: aprender a pensar e aprender a aprender.

Esse futuro, felizmente, não “acontecerá” simplesmente. Ele será criado. E alguém precisará criá-lo. Quem de vocês estará disposto a isso? Quem está disposto a pensar, a questionar, a desafiar o funcionamento das coisas e propor algo novo, melhor? Quem realmente aprendeu a pensar e será criador desse futuro?

E, independente das mudanças que esse futuro trará, alguém precisará conduzir, organizar, administrar todo esse novo mundo, com novas tecnologias, novas ferramentas, novos paradigmas. E quem se manterá no topo, direcionando as novas e antigas organizações nesse novo cenário? Aquele que aprendeu a aprender, que é incansável na leitura, na busca por novos conhecimentos e habilidades.

Eu espero, ansioso, poder fazer parte desse futuro criado e conduzido por muitos de vocês.

E assim – por mais valiosas que tenham sido as aulas de logística, estatística, marketing, finanças, RH, estratégia e tantas outras – nesta noite, enquanto ainda podemos chamá-los “alunos”, espero que lembrem dessas duas lições: não se furtem a pensar; e nunca se cansem de aprender.

Eu já disse que vocês precisam ler mais?

Boa noite, sucesso e que Deus abençoe vocês!

Empreendedorismo vs estatismo

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Cada vez que um funcionário público é contratado, morre um empreendedor.
Prof. Sergio Seloti.Jr

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Vi a capa dessa edição da revista Isto É e me entristeceu o coração. Pensei na hora: Cada vez que um funcionário público é contratado, morre um empreendedor. Não, não é uma relação direta, do tipo: um potencial empreendedor vira um funcionário público. É um pouco mais elaborada, mas existe.

Empreendedores e o Estado Arrecadador

Partimos de um princípio claro: o estado (enquanto ente) não produz nada, apenas consome (gasta) recursos. Dessa forma, uma vez que o funcionário público precisa ser pago e o estado não tem fonte de renda a partir de seu próprio trabalho, ele “precisa” arrecadar impostos para custear esse novo funcionário da máquina estatal. Oras, o estado precisa confiscar dinheiro – sob a forma de impostos – do consumidor final (cidadão), do empreendedor (empresário) e/ou do mercado de capitais (investidores). Caso escolha tributar o consumidor, tornará mais caro adquirir produtos e, assim, o potencial do empreendedor de vender seus produtos ou serviços. Caso tribute o empreendedor, o efeito é o mesmo: o custo será repassado ao consumidor, incorrendo no primeiro caso. Por fim, tributando investimento (a pior escolha), torna mais caro o acesso do empreendedor ao capital, inviabilizando inclusive a abertura do negócio.

Independente da fonte escolhida, o resultado é sempre o mesmo: menos dinheiro disponível no mercado aumenta diretamente o custo do dinheiro e dificulta (ainda mais) a vida do empreendedor.

Imprimir dinheiro

Algum incauto poderia sugerir, então, que se imprima dinheiro e, assim, daria para pagar as contas. Resultado: inflação. Explicarei esse mecanismo em outro texto, por hora, vale ler este aqui. Assim, para custear serviços públicos (muitas vezes, ruins), o estado precisa que alguém pague a conta. E a conta sempre cai nas costas de quem produz riqueza de fato. Vulgo empreendedor.

Imagine quantos impostos devem ser pagos para custear um salário de 20 mil reais de um funcionário público. Estou falando de impostos, de um percentual da receita. Ou seja, imagine quanto um empreendedor precisa produzir e vender para custear o alto salário, a (muitas vezes) ineficiência e a “estabilidade” de um funcionário público.

Só imagine…

Assim, cada vez que um funcionário público é contratado, morre, portanto, um empreendedor.



Para saber mais

Alagoas condenada pelo estatismo

O que você deve saber sobre a inflação

O legado cultural e espiritual da inflação monetária

A verdade sobre a inflação

Por que o Brasil não fabrica mais moedas quando precisa de dinheiro?

Imprimir mais dinheiro resolveria os problemas?

Liberalismo e estatismo no Brasil

Cultura Empreendedora no Brasil

Empreendedorismo ou Estatismo? O que a População de fato deseja?

O capitalista em um ambiente livre e em um ambiente estatista

Mercado vs estatismo dirigista

Estatismo prejudica leilão de Libra

A ação direta como empreendedorismo

PS: Apenas uma ressalva conspiracionista política brasileira: em se tratando de Isto É, eu não duvidaria que haja uma intenção escondida de desestimular um crescente de empreendedorismo no país. Mas aí é só uma teoria. Só uma teoria…

Recordação

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Para quem não acredita que esse professor mala já lecionou com cabelos compridos e tinha o carinhoso apelido de “Prof. Cabelo” ou “Jesus”, aqui está a prova, enviada por e-mail pelo Jorge Trimboli, da turma de Gestão de Negócios e Informação, da Univ. Guarulhos, em 2004. Atualmente, o Jorge está com a família nos EUA, a trabalho.

Saudades dessa turma…

junior-2005-02-24

Sem cair em pieguice, mas esse tipo de coisa, para alguém apaixonado pela educação como sou, não tem preço (será que consigo aparecer no comercial da Mastercard?)

Upgrade no currículo

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  • Especialista em Marketing Impresso (boy do xerox).
  • Supervisor Geral de Bem-Estar, Higiene e Saúde (faxineiro).
  • Oficial Coordenador de Movimentação Interna (porteiro).
  • Oficial Coordenador de Movimentação Noturna (vigia).
  • Distribuidor de Recursos Humanos (motorista de ônibus).
  • Distribuidor de Recursos Humanos VIP (motorista de táxi).
  • Distribuidor Interno de Recursos Humanos (ascensorista).
  • Diretora de Fluxos e Saneamento de Áreas (a tia que limpa o banheiro).
  • Especialista em Logística de Energia Combustível (frentista).
  • Auxiliar de Serviços de Engenharia Civil (peão de obra).
  • Segundo Auxiliar de Serviços de Engenharia Civil (coitado…).
  • Especialista em Logística de Documentos (office-boy).
  • Especialista Avançado em Logística de Documentos (moto-boy).
  • Consultor de Assuntos Gerais e Não Específicos (vidente).
  • Técnico de Marketing Direcionado (distribuidor de santinho nas esquinas).
  • Especialista em Logística de Alimentos (garçom).
  • Coordenador de Fluxo de Artigos Esportivos (gandula).
  • Distribuidor de Produtos Alternativos de Alta Rotatividade (camelô).
  • Técnico Saneador de Vias Publicas (gari).
  • Especialista em Entretenimento Masculino (prostituta).
  • Especialista em Entretenimento Masculino Sênior (prostituta de luxo).
  • Dublê de Especialista em Entretenimento Masculino (travesti).
  • Supervisor dos Serviços de Entretenimento Masculino (cafetão).
  • Técnico em Redistribuição de Renda (ladrão)

Enviado por e-mail por Priscilla Munhoz